A melancolia de Tarso Genro

Chico Alves

Em tom sereno, como de costume, Tarso Genro deu entrevista a Roberto D’ávila na Globo News. O papo rendeu algumas revelações dos bastidores petistas. O ex-governador criticou a gestão de Dilma Rousseff por construir o isolamento que tantos dissabores tem custado ao governo. Não delegou poderes nunca, em nenhum momento os ministros se sentiram à vontade para falar em seu nome, lamentou Tarso. Por outro lado, afastou-se da base aliada, não conversava com o Congresso.

“Há um ano alertei que o PMDB estava saindo do governo, que estava planejando candidatura própria. Por isso, fui criticado dentro do PT, como se quisesse criar uma dissidência”, comentou.

Critica a tentativa de impeachment, a concentração da mídia e a tentativa de popularizar a ideia de que o PT é o partido mais corrupto do Brasil.

Ele diz que a experiência do Partido dos Trabalhadores não pode ser jogada fora e que a legenda deve participar de um esforço de reorganização da esquerda, “mesmo que não seja hegemônico”. Diz que participará desse esforço, mesmo que no futuro não esteja sob uma legenda identificada pelas duas letrinhas, PT.

Para além da fala de Tarso Genro, o que mais chama atenção  em sua entrevista é a expressão melancólica e o olhar um tanto triste de um homem que viu a decadência do partido no qual depositou tanta esperança de mudança do país. O ex-governador é um homem de bem. Talvez um tanto ingênuo, mas muito bem intencionado. A tristeza no olhar desse político representa o sentimento de muitos que ajudaram a construir o PT e, mesmo decepcionados com o governo e com a legenda, saem às ruas para defender que Dilma cumpra seu mandato até o fim.

 

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