As bizarrices do Congresso, o eleitor e a esquerda

 

Brasília - Termina sessão que autorizou processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, no plenário da Câmara dos Deputados ( Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Chico Alves

O Congresso Nacional é como a emergência de um hospital público. Toda vez que somos obrigados a olhar com mais atenção para o que acontece por lá, ficamos de estômago embrulhado. Por isso, a maior parte do tempo fingimos que aquele lugar não existe, escolhemos esquecer de como aquilo realmente é.
 
A verdade é que não há nada de exótico nos parlamentares que estão na Câmara, seus discursos na votação do impeachment foram os mesmos que costumam fazer diariamente, sem que nos interessemos por eles.
 
A maior parte do Congresso é formada por péssimos parlamentares e muitos colocam a “culpa” por essa aberração nas costas dos eleitores. Mas é bom pensar duas vezes.
 
Afinal, qual alternativa a esquerda deu aos eleitores mais pobres, aqueles que vivem em áreas mais longínquas da cidade e do país? Quem, da esquerda, convive e ouve os problemas dos moradores de Japeri (RJ) ou de Santarém (PA). Afora alguns poucos abnegados, não há uma ação organizada, não só para conquistar os votos, mas também para discutir política com o povo desses lugares.
 
Nos últimos anos, a esquerda apenas quis falar em nome do povão, em vez de dialogar com ele. Quis ficar acima e não ao lado. Foi a esses recantos apenas esporadicamente, para uma roda de conversa aqui ou ali, quase sempre com seus conceitos formados, sem disposição para aprender. Nada de construção cotidiana. O último a fazer isso foi o PT, na década de 80. Mas o PT, sabemos o que se tornou…
 
Quando o Partido dos Trabalhadores virou um monstro, parte da esquerda passou a criticá-lo, com razão. Mas não conseguiu construir uma alternativa. Não chegou nem perto disso.
 
Pois bem: se os eleitores dos rincões só têm políticos conservadores a acompanhar seu dia-a-dia, como culpá-los por votar nos parlamentares que estão aí? Se é que existe culpa (palavrinha danada, essa), ninguém precisa pegar uma estrada rumo ao interior para encontrá-la. Ela está por aqui mesmo, nas capitais.
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