Bete Mendes venceu Ustra

 

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Chico Alves

Nesta quinta fui ao Imperator para aplaudir Nelson Sargento, Pedro Miranda e conjunto Galo Preto. Show delicioso. Nelson com humor afiado, Pedro com a simpatia e o talento de sempre e o Galo Preto dando um banho. O encerramento perfeito para uma noite de feriado. Termina o show e, depois do bis, Pedrinho pede aplausos para a mulher dona da voz que, ao início do espetáculo, narrou um resumo da biografia de Nelson. Era Bete Mendes.

Ela mesma: a atriz que foi torturada por Brilhante Ustra, em 1970. Bete apareceu à beira do palco, sob as homenagens da plateia. De longe, eu a observava e pensava: o que deve estar sentindo essa mulher, torturada por esse animal, vendo agora Ustra ser louvado  em rede nacional de TV, em pleno Congresso Nacional? Deu vontade de ir até ela, abraçá-la e pedir desculpas por essa indignidade. Mas fiquei com um  nó na garganta e não fiz nada. Fiquei apenas ali, olhando para Bete.

“A gente é tão humilhado, seviciado, vilipendiado que o que se quer é sobreviver e bem. Estou muito feliz, sobrevivi e bem. Não quero mais falar sobre esse assunto (…) Superei isso com tratamento psicológico e com trabalho. Agradeço à família, aos amigos e à classe artística, que foram meus alicerces”, disse ela, em uma entrevista à Folha, em 2013.

Mesmo não indo ao encontro de Bete, na quinta-feira, estava perto o bastante para ver e ouvir quando ela abraçou uma amiga na plateia . “Que show lindo! Emocionante!”, disse, sorridente.  Apesar de tudo, parecia leve. Seria bom que Ustra, nas profundezas do inferno, e seus admiradores que estão entre nós, soubessem disso:  Bete sobreviveu. E bem.

 

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