Rafaela Silva não me representa

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Mulher, negra, moradora da favela, Rafaela Silva, a medalhista olímpica, é a única responsável pela sua vitória. Talvez possa dividir o mérito com seus pais, amigos e treinadores do Instituto Reação. Talvez possa agradecer a alguma ajuda de bolsas do governo federal e o dinheiro que seu treinador investiu para mantê-la no tatame. Mas a disposição para enfrentar o treinamento pesado, a superação depois das derrotas, o enfrentamento dos  xingamentos racistas, vivendo numa realidade tão hostil, tudo isso é mérito exclusivo dela.

É bonito que ao menos nesse momento os brasileiros vibrem com Rafaela. Mas o certo é que, passada a Olimpíada, a campeã olímpica e várias outras tão boas quanto ela e que não conseguiram medalha voltarão ao esquecimento em que vivem na Cidade de Deus e em outras favelas do país.

Como a maioria dos brasileiros, faço pouco para ajudar essas ‘Rafaelas’ que existem por aí. Espero que a medalha de ouro ajude a chamar atenção para as dificuldades de todas elas, que ajude a mobilizar a sociedade por essa lutadoras. Tenho, porém, pouca esperança de que isso aconteça.

Vibro muito por Rafaela. Mas a verdade é que, nessa vitória, a brava judoca da Cidade de Deus representa mesmo é a si própria.

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