Temer pode explodir a si mesmo

granada

Chico Alves

Assim como os terroristas suicidas que amedrontam o mundo, Michel Temer carrega consigo a bomba que pode, além de detonar tudo à sua volta, explodir a si mesmo. São as pautas de “reformas” que seu governo definiu como prioridade. A cada pronunciamento seu ou de um ministro, a população reage com perplexidade. Pouco a pouco, os trabalhadores das periferias vão interpretando as tais reformas como arrocho, corte de verbas sociais, perda de direitos trabalhistas e dificuldade de acesso à aposentadoria. A perplexidade vai, gradativamente, se materializando em xingamentos. Nada pode ser mais explosivo que isso para Temer.

As dificuldades que o presidente enfrenta para fazer com que os parlamentares da base coloquem suas propostas em votação é uma prova disso. Mais preocupados em eleger a si próprios e a seus candidatos nas eleições municipais, os políticos aliados já disseram que o assunto não vai ser tratado agora, só em novembro. Nada de pautas impopulares nesse momento em que eles percorrem as ruas em busca de votos.

Do outro lado, figuras como o senador Aécio Neves e entidades como a Fiesp cobram do presidente “reformas” imediatas.  Pelo olhar dos tucanos, Temer foi colocado na presidência para fazer o trabalho sujo, para executar uma pauta impopular que deixaria o Estado mais enxuto e as contas mais ajustadas. Assim, um possível candidato vitorioso do PSDB em 2018 poderia encontrar um cenário financeiro favorável, sem ter que arcar com o ônus da impopularidade. Por isso, os tucanos querem mudar já. A Fiesp, por sua vez, também enxerga nesse momento uma possibilidade única de rever muitas leis que oneram os empresários, mesmo que essas mudanças custem o bem-estar dos trabalhadores. Também querem mudar já.

Acuado entre os políticos da base em plena campanha, que não querem ficar ainda mais mal vistos pela população, e os tucanos aliados à Fiesp, Temer tenta se mexer.

A situação para ele pode realmente se complicar quando os manifestantes que começam a encher as ruas agregarem aos gritos de “Fora, Temer” e “golpista”, palavras de ordem que reforcem a ideia de que o presidente atual quer arrochar ainda mais os trabalhadores, já em péssima situação. Para quem tem cerca de 90% de impopularidade, como mostra a pesquisa do Ibope, isso pode ser como tirar o pino de uma granada política. E quem fez questão de botar a mão neste artefato na mão foi o próprio Temer.

 

 

0 respostas

Deixe uma resposta

Quer participar da discussão?
Fique a vontade para contribuir!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *